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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Depois de muito tempo sem escrever coisa alguma, me veio esse poema hoje de manhã:

às vezes eu penso
outras eu ignoro
outras ainda eu jogo fora
mas há outras em que guardo tudo
se eu subisse num morro bem alto
uma montanha talvez
e gritasse lá de cima
(as mãos em concha)
"às vezes eu penso"
e ouvisse o eco
"eu penso-eu penso-eu penso"
acho que eu sorriria
não porque fosse engraçado
suavemente engraçado
mas porque um experimento assim
teria que ser pensado
e o eco seria a única coisa
autêntica na minha vida.
 
Perov 22ago13

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Carcaças

objetos, objetos, objetos/tenho-os tantos.../as gavetas lotadas/se assemelham a frases/a parágrafos/que guardam palavras/que envolvem letras/que são o nada/à busca do tudo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

No Title


silente/quase inerte/(so I hear her)/passa/e diz:/"Noite"/e de repente alegra meu rosto/com uma pergunta qualquer/e me faz lembrar/muito bem/como é ancestral e bela/em seu silêncio/noturno...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Feliz Aniversário, Meu Bem.

ah, a pele de minha tão-querida/a alva e doce pele de minha tão-querida/com que mãos, dedos, lábios/gostaria de tocá-la/aqui e lá/ sem destino/sem convicções/apenas o tato em sua pureza/para que ela/ sendo assim investigada/tivesse muito prazer/e muitas cócegas... [perov=15mar12]

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Amnésia

Selma Eliza/tua amnésia/te mantém viva/em todas as minhas vidas/Just/De/como seja/estudando ballet/enviando-me flores/localizando meus posts e respondendo-me em outro século/com cartazes multi/teu nariz tua força/e eu ainda sentindo o perfume/dos teus roseirais/da Bom Jardim soterrada/e de tudo que minha memória guarda/mesmo do caco de vidro no fundo do mar machucando-me o pé/Selma Eliza/presente em todos os presentes/raspando em minha trave e fazendo-me gols completos/deixando-me encantado e mordido/sempre lembrando/sempre lembrando/sempre teu/raivosamente teu.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Duas para V/, uma gueixa



talvez/dizes e pensas/que assim me tens pelos arreios/e me tens/mas só um pouco/enquanto me anima/teu ranger de dentes/imaginado/na cama em que/te ato.

ela beijou-me com franqueza/água feita terra/firme/não houve riso/nem abrir de novas portas/apenas o centro do universo plantado/no meu peito/franco.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Gueixa

meu dengo me diz
- sou tudo que quiseres...
meu dengo me entristece
pois que a quero como ela é
mais que tudo como ela é
descoberta casual
ou não [por estar escrito em nossa história]
meu dengo é a realidade sutil
que aparece e se esvanece
que não necessita de sujeito e predicado
nem de forma ou conteúdo
que não é rosto ou um par de pernas
nem tom de pele ou menina dos olhos
é a gueixa suprema
de nome escrito a nankin
cujo toque não precisa do contato da matéria
nem do sopro do espírito
para que eu a sinta apertada a mim e
no momento seguinte a saiba
parte do cosmos...


12dez10


Para Marcela, Gueixa Wasabi, amiga infinita.



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os Mortos da Minha Praia



o que há c'os mortos da minha praia?
o mar é o mesmo
assim o céu
a praia nem tanto
os sarnambis se foram
assim as marias da toca
onde foram parar os navios que os despejavam
ou de onde caíam, presos na rede ou dilarecerados
por pás e hélices
os mortos da minha praia?

é doce morrer no mar
- quem diz não se afogou ou nunca provou
daquela carne aguada
dos mortos da minha praia...

Pero Vaas - un poète romantique.


06out10

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Todos os Mares






Na barra da saia de minha mãe Yemanjá
Sentei-me e coloquei meu coração entre as mãos d’água
Olhei para o escuro horizonte
E para as embarcações lá longe
Junto das ilhas apenas outras ilhas
Fechei os olhos e ouvi o Mar do Norte
Toquei o fundo oleoso
Apertei com os dedos dos pés a mistura
De areia, calcáreo e sargaços
Ao longe também ouvi o sino do Marinheiro Só
Balancei e me equilibrei na proa
E fui bater indolor e agradecido
Na praia da minha infância.

04OUT10

domingo, 3 de outubro de 2010

O Muro e a Expectativa





vejo um muro
e nele colado
- entre tantos outros
antigos e novos
também colados
- um bilhete
sei que a mim é endereçado
um bilhete
e quem colou-o ali
imagina que o verei entre tantos
refulgente
único
em alto-relevo
e minha agonia é que não.


03OUT10

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Poeminha no MSN


buenos días, estimada A/
y que tengas una buena semana...
y que tus pensamientos me contemplen...
y que, contemplandome, te dejes veer...
y que, dejandome que te veas, te muestres...
y mostrandote, te dispas...
y dispiendote, me quieras...
y queriendome, me permitas...
y permitiendome, me tomes
y tomandome, me comas!

Para minha irmã A/, que prefere ficar lambisgoiando pés.

20SET10

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

As Palavras


As palavras
Quando as escrevo
Leio
Ou com elas penso
São também as pausas
Entre elas.

Ao editar as palavras
Edito também o espaço
Entre elas
Imagino-as ditas
E o som que têm
Quando da minha boca se projetam.

Posso dizer que de palavras sou feito
Olho meu braço e digo: “braço”
E assim por diante faço
Até que amorteço completamente
Minha existência corpórea
Indo direto ao espaço da mente
Onde tudo são palavras
Tão-somente.

15SET10

quinta-feira, 26 de agosto de 2010



Peça e ferro da Idade do Ferro
ah, de quantas maneiras
eu já me ferrei
ao acreditar em palavras
cifras e emolumentos
ao desdenhar o óbvio que me demonstram
a Física, a Química e a Matemática
do ENEM.

ah, de quantas maneiras
eu me ferro
ao ser assediado
por sinônimos
pistas e sinais
que me enviam para lá
quando o que vale está ao lado.

ah, de quantas maneiras
eu ferraria
aquela boceta amada
que nada mais é do que
a parte príncipe
da mulher que é tudo.


26AGO10

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Pense Nisso

Estás vendada e crês que não me conheces. Deixo que penses assim, se te dá prazer. Te aproximas de mim procurando alguma referência: meu cheiro, uma palavra, uma ordem. Nada tens de mim, exceto meus olhos que te olham e que tu não vês.

Te vingas porque me sabes assim: sem te dar, mas também sem te ter. E te viras de costas, sobes as saias e dobras o corpo ao meio para a frente. Observo, então, teus calcanhares, tuas pernas, tuas coxas... e tuas nádegas. A curva de tuas nádegas. Me dás tempo. Mas então te abres e me deixas ver a castanha de tua boceta, a pele fina que a segue para cima e, finalmente, teu cu - o olho ciclope que se fecha como o obturador preciso de uma Schneider Componon.

Acompanho o movimento e a pausa que fazes, após. E sinto o desejo que me sobre à boca, antes de enfiar-te a língua.


30jul10

Nada Quero de Meu



nada do que é meu
é meu.
nada quero de meu.
aquilo que é meu
não é.
minha mão não é dona
da mão que ela aperta.
assim quero eu.



30jul10

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poeminha Amoroso em Vai e Vem

Minha mão inocente
abre-se sobre a pele do teu seio
fecho os olhos e sinto
as diferenças de textura
o arrepio
quando percorro o bojo
a auréola
o bico.

Caminho até a mesa
onde estão o papel
e os lápis de cor.
Sento-me e psicografo
às vezes rápido
outras mais lento
direto da memória
o desenho do teu seio.

Abro os olhos
e observo
o papel sobre a mesa
e nele o desenho
de um canteiro de flores
de um conjunto de mares
caminhos, correntezas
pássaro e peixe
e o sol.

Coloco a mão aberta
sobre o desenho no papel
e fechando novamente os olhos
sinto a pele do teu seio
as diferenças de textura
o arrepio
quando percorro o bojo
a auréola
o bico.

28jul10

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Poeminha Para Os Temores De V/



hoje, quando acordei,
uma dor fina e quase
insuportável
feria o céu da minha boca.
mexendo-me muito pouco
com o cuidado que anos de prática
me fizeram aprender
percorri o espaço entre a cama e o espelho e me vi
e ao tridente que já havia perspassado
a minha língua em direção
ao meu nariz...


02jul10

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O Abraçador de Quimeras

rodeio tua cintura
meço-a
como se teu corpo
existisse
e tua palavra
me encanta
como se eu existisse.
sou alçado
[alço-me]
e abraço a possibilidade
de que tua cintura caiba
entre essas mãos aqui
e tua palavra me diga
com sons
e hálito
que me entendes
teu.

[15out09]

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Toda Sobrinha Merece

toda sobrinha merece

um tio

meio sonso

meio puto

mas há sobrinhas

divinas sobrinhas morenas

exemplares únicos da raça

que merecem um tio supersônico

um tio superpânico

um tio apesar dos pesares

um tio exclusivo

prá contar histórias e talvez

durante o fragor de alguma batalha

entre príncipes, reis, duques

e feiticeiros

aparar-lhes os desejos

beijando-as onde não deve beijar um tio

alcançando-lhes com a palma da mão

o interno das coxas sãs

e alisando-as onde se apertam

mas já se abrem

noivas todas...

que são

noivas de alguém que desconhece

que um tio

é um tio

é um tio...

Progresso

a cada letra que trocamos
corta-se com destra lâmina
a letra que atrás ficou
morto o Cordeiro de Deus
separamos as juntas
os artelhos
retiramos cuidadosamente as unhas
e fazemos de conta
que nada existiu antes do agora
e de cara limpa
programamos o amanhã.