quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Malman


Como e por que terá Malman ido parar na clareira da floresta? Esta é a história que precede o encontro com a Bela das Brumas.



O pai de Malman era um rico mercador de tecidos que tinha clientes e amigos poderosos. Quando Malman completou doze anos, o pai entregou-o à proteção de um bem-sucedido capitão de navios que faziam a rota para a Ásia e a África. E assim o rapaz pôde conhecer o mundo para além das fronteiras do lugar onde nascera.

Logo o capitão deu-se conta da inteligência e da disposição do seu protegido. Malman aprendia tudo muito rapidamente – das tarefas da navegação à contabilidade da companhia. Tinha o espírito prático e, ao mesmo tempo, imaginativo e empreendedor. De sorte que, aos quatorze anos, já havia alcançado a posição de lugar-tenente junto ao capitão e protetor. Passava meses entre o mar e paragens exóticas e distantes e absorvia tudo o que trazia aquele mundo novo de possibilidades.

Foi assim que, observando e aprendendo os modos dos lugares que visitava, Malman encontrou sua vocação. Para ele, ler as estrelas, desenhar rotas, cozinhar mezinhas e adivinhar o futuro eram partes do mesmo universo de conhecimento. Levava para cada porto as habilidades que aprendera nos anteriores, adquirindo novas sabedorias e transformando-as todas em suas. E, com isso, ia-se tornando num médico de corpos e almas.

O capitão não deixou de observar o desenvolvimento do rapaz e, com a autorização concedida pelo pai de Malman, entregou-o aos cuidados de um famoso alquimista e cabalista espanhol. Na companhia deste novo mestre, Malman apurou os conhecimentos adquiridos nas suas viagens e passou a dominar as artes da química e das transformações, enquanto aprendia celeremente o Latim. Sendo o alquimista, além de sábio, um libertino, Malman logo praticou as delícias do cunnilingus, recebendo em troca magníficas felatta. Além disso, passou a amealhar boa parte da remuneração do mestre, acumulando economias que lhe serviriam no futuro.

Verificando que Malman estava prestes a superá-lo, inclusive nas conquistas femininas, o esperto alquimista presenteou-lhe com um traje negro e um chapéu de abas largas e mandou-o de volta para o pai. “Ite”, disse, “aula est...” e, com um tapinha nas costas e um apertão carinhoso nas bochechas, despediu-se do aluno recém-formado.

Malman chegou à cidade natal montado num burro, tendo nos alforjes uma pequena bolsa com moedas de ouro e outras tantas com pós, pedaços de coisas, ossos de pequenos animais e preparados especiais. Mais atrás, presa a uma corda, vinha a mula que suportava o peso de dois baús negros, carregados de instrumentos, vasilhames e ampolas. A estranha procissão, embora pequena, ganhou fôlego de grande acontecido quando o populacho deu-se conta de quem era a densa figura e para onde ela se dirigia.

Apeado, Malman ganhou um ardoroso abraço do pai que, ao ver o filho tão bem posto, deu-se a si mesmo os parabéns pela grata idéia de mandá-lo correr mundo. Fechado o portão à frente dos curiosos, pai e filho dirigiram-se abraçados para a casa, onde foi imediatamente preparado um magnífico “repas”, que incluía sopas, assados, pastéis, lingüiças e as sobremesas mais deliciosas. Tudo regado ao bom vinho rosado do Mediterrâneo. Os comensais não podiam mais de contentamento e atiravam perguntas a Malman, que as respondia conforme podia, contando-lhes das aventuras nos continentes distantes e do aprendizado com seus mestres – omitindo as passagens menos lisonjeiras... Tantas e tantas histórias acabaram por cansar os comensais. Com abraços, Malman retirou-se e foi dormir no quartinho que fora seu até a adolescência.

O retorno de Malman foi ainda festejado por alguns dias. Nas primeiras semanas, o pai teve a oportunidade de visitar, na companhia do filho, as tantas casas nobres e burguesas onde tinha amigos, e falar dos préstimos que Malman estava habilitado a oferecer. Assim apresentado à sociedade local, Malman instalou-se ao lado da barbearia, alugando um galpão e transformando-o numa oficina com um aposento decorado, onde receberia a clientela.

Não demorou muito e Malman já era conhecido não só do lugarejo, mas também das cidades vizinhas, onde sua fama de médico havia chegado. E desta forma foi enricando, recebendo dinheiro, jóias, pertences e o que fosse de valor pelas consultas que dava e pelas poções e outros remédios que vendia e administrava. Também recebia, em troca de trabalhos especiais, favores das damas que lhe agradavam – muitos delas dispostas a conceder-lhe tais favores em virtude dos perfumes mágicos e outras feitiçarias que utilizava.

A fama e o enriquecimento rápido vieram acompanhados de arrogância e desprezo pelos sentimentos alheios. O coração de Malman, antes tão aberto aos sofrimentos do mundo, tornava-se duro na mesma proporção em que seus bolsos se enchiam e que cavaleiros e damas vinham confidenciar seus problemas íntimos e buscar as soluções que Malman oferecia. Já não bastavam as viúvas e as senhoras casadas, e mesmo jovens comprometidas, suas aias e mucamas, para saciar os desejos de Malman – ele, agora, queria as donzelas e, dentre elas, as mais puras. Obrigava mães em desespero a entregar suas filhas. Deitava-se com irmãs, fazia orgias onde o defloramento e a sodomia eram o ponto alto.

E Malman não tinha limites. Antes dos trinta já era o homem mais poderoso da região. Entretanto, ficara lasso, engordava a olhos vistos e tinha que esconder a pança sob o vetusto roupão de curandeiro. Não raro ficava intumescido pelo abuso do álcool e dos incontáveis acepipes que ingeria com despudor. Sentindo-se inalcançável, usava seus conhecimentos sem o mínimo respeito pela ética. Certo dia cismou de penetrar a mais formosa e casta donzela de que se tinha notícia. Meteu a idéia na cabeça e começou a cercar a família da donzela com mimos e palavras, tornando-se amigo dileto e freqüente comensal.

Usando do estratagema diabólico, levou a bela donzela a seu galpão, pretextando que desejava curá-la de uma inexplicável fraqueza, que vez por outra a fazia desvanecer. Uma vez no covil, deu-lhe de beber algo que disse ser um “vinho reconstituinte” mas que era, na verdade, uma poção da paixão, criada por um curandeiro africano que acabou morrendo em êxtase.

E eis que, nem bem chegara ao derradeiro gole, a donzela se entrega a Malman, ensandecida. Arranha-se, sente-se queimar inteira, suspira, arqueia o corpo voluptuosamente e implora ao mago que a tome de uma vez para que cesse a agonia. Malman arranca-lhe as roupas, morde-lhe um seio e, depois, o suave pescoço; como um vampiro, alimenta-se do corpo virgem, enfia-lhe o membro na boca até que se engasgue uma, e outra vez, e mais outra... E, por fim, a penetra com brutalidade, na frente e atrás, sem parar, até que se cansa e a empurra para um lado, exangue, e dorme. Acorda algum tempo depois e serve-se novamente da donzela, sorvendo cada detalhe do prazer inescrupuloso e aumentando o sofrimento da presa que, entretanto, sente-se compelida a deixar-se devorar.

Ao despertar depois de tanta refrega, Malman dá com o corpo estuporado da donzela e se inteira de que teria que engabelar urgentemente a família amiga. E assim o faz: procura pelos pais da moça e diz que o caso é grave e que a menina teria que ficar sob sua vigilância contínua por alguns dias. A credulidade ingênua do casal é sua aliada, e Malman volta para a alcova, onde alimenta a donzela e a vai ressuscitando. A moça não se recorda de coisa alguma e, também ingenuamente, deixa que Malman a trate da estranha enfermidade até que, ao cabo de três dias, já se sente reabilitada e livre dos desmaios, concluindo-se a aventura com a devolução da jovem à casa paterna.

Passam-se os dias como dantes, com Malman dando suas consultas e conspurcando as clientes por quem se sente atraído. Até que, estando a atender um par de senhoras, é interrompido por insistentes batidas à porta. Fechando enfezadamente o roupão, Malman dá com a donzela à sua porta. Está pálida e se diz tomada de enjôos; implora por alguma ajuda. E Malman percebe que está grávida. Convida-a a entrar e rapidamente desfaz-se das clientes que saem contrariadas. A sós com a donzela, insiste para que tome uma taça do seu vinho onde, disfarçadamente, dissolve um fortíssimo constritor. Com a moça tomada pelo torpor que lhe dá o álcool, despacha-a para casa e vai sentar-se, preocupado, num dos cantos do galpão. Mas logo afasta suas preocupações com um bom gole do rosado – este não batizado.

Poucos dias depois é novamente procurado pela jovem a quem dera o abortivo. A moça acomoda-se triste na poltrona que Malman lhe oferece e lhe conta que algo aconteceu e que não tem condições de explicar como ficara grávida. Seus pais a acusavam de leviana, embora ela tivesse a certeza de que não estivera na companhia de qualquer homem a não ser o mago. Nos olhos da jovem Malman vê a acusação que ela lhe dirigia e, fingido, inventa histórias, tece e torce argumentos com tanta habilidade que faz a menina sentir-se culpada por anelar semelhante ideia. A jovem, então, despede-se de Malman dizendo que o que a deixara mais triste e condoída fora perder um filho, agora que estava mesmo em desgraça...

Pouco tempo depois Malman soube que a jovem se suicidara, atirando-se de uma ponte ao rio. Sentiu-se aliviado, mas não por muito tempo. Ao que parece, uma criada da jovem suicida aventara a hipótese do envolvimento de Malman no infortunado episódio, costurando partes imaginadas com algumas evidências, e a versão começou a ganhar corpo. E Malman foi sentindo a pressão. Primeiro foram escasseando os clientes, depois viravam-lhe o rosto na rua, ainda depois começaram a atirar-lhe impropérios. Os médicos e farmacêuticos locais, que haviam perdido clientela e prestígio com a prática de Malman, organizaram-se para conseguir um édito papal contra o mago. E por último, sua família passou a fechar-lhe as portas. O pai adoeceu e meteu-se na cama, de onde nunca mais levantou-se.

Malman começou, assim, a viver o remordimento do que fizera com a desgraçada jovem. Passou a memória pelo que havia sido – e se orgulhava de ser – e pelo que se tornara. Não adiantava culpar a boa sorte; ao contrário, só lhe restava culpar a si mesmo, que transformara toda a riqueza e poder amealhados em distanciamento e frieza. E quando o pai faleceu de tristeza malman rasgou as vestes, rangeu os dentes, jejuou e tomou o destino da floresta, para viver em solidão e expiar sua pesada culpa. De médico, havia tornado-se um bruxo – e bruxo deveria ser pelo resto de seus dias...

[Para Dark Butterfly, a amiga que inspirou a Bela das Brumas]

01set2001



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Amnésia

Selma Eliza/tua amnésia/te mantém viva/em todas as minhas vidas/Just/De/como seja/estudando ballet/enviando-me flores/localizando meus posts e respondendo-me em outro século/com cartazes multi/teu nariz tua força/e eu ainda sentindo o perfume/dos teus roseirais/da Bom Jardim soterrada/e de tudo que minha memória guarda/mesmo do caco de vidro no fundo do mar machucando-me o pé/Selma Eliza/presente em todos os presentes/raspando em minha trave e fazendo-me gols completos/deixando-me encantado e mordido/sempre lembrando/sempre lembrando/sempre teu/raivosamente teu.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Duas para V/, uma gueixa



talvez/dizes e pensas/que assim me tens pelos arreios/e me tens/mas só um pouco/enquanto me anima/teu ranger de dentes/imaginado/na cama em que/te ato.

ela beijou-me com franqueza/água feita terra/firme/não houve riso/nem abrir de novas portas/apenas o centro do universo plantado/no meu peito/franco.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Bom-Dia Brasil = 05 de janeiro de 2011




Voltando da caminhada pela orla, fiz café, abri uma maçã e sentei-me diante da TV para checar o “Bom Dia, Brasil”.

Assisti a três matérias em seqüência, no espaço de aproximadamente vinte minutos:

1.         reunião dos caciques do PMDB para discutir a relação com o PT, com pequenas entrevistas de Garibaldi Alves, Renan Calheiros, Michel Temer e Valdir Raupp, e com imagens subseqüentes de Roseana Sarney e outros convivas de menor evidência;

2.         entrevista com um especialista do IPEA sobre os problemas da Previdência, tendo em vista o “envelhecimento” da população do País e outras variáveis problemáticas detectadas pelo último censo; e

3.         cenas de mais um desabamento de barreira na região serrana do Rio de Janeiro (Petrópolis), devido às chuvas recentes, com a conta de três mortos – uma adolescente e duas crianças.

Enlaçando as duas primeiras matérias, assisti a comentários de Alexandre Garcia e Zileide Silva sobre a primeira crise de governo, advinda das disputas partidárias para preencher o segundo escalão do governo federal. Tais comentários referiam o aumento do salário mínimo como moeda de troca – o PMDB fincando o pé em não menos que R$580,00 e o governo (Guido Mantega) rebatendo que um valor superior a R$540,00 seria vetado.

A terceira matéria, com cenas do local, retratava a dor dos familiares que perderam entes queridos. Nenhum comentário turvou as imagens cruas do drama que se repete. Desliguei a TV antes que o bloco chegasse ao fim e comecei a refletir sobre minhas reações.

Que mundo é esse, afinal, onde convivem temas tão escandalosamente afins, embora dessemelhantes? A princípio, acho que vi um filme de conteúdos desconexos, repletos de imagens fantasmagóricas e referências turvas. Aos poucos vou encontrando a evidência de que as três matérias têm tudo a ver entre elas e de que, realmente, vivemos num circo de horrores, em que os mais necessitados arcam com o ônus da indiferença e do egoísmo da “elite dirigente”, sem que percebamos a relação de causa e efeito que subjaze a tudo isso.

As cenas tão familiares de desabamentos ocasionadas pelas chuvas se perpetuam ano a ano. Com exceção, talvez, de Roberto da Silveira – prefeito de Niterói – nenhum dos governantes (governadores de estado ou prefeitos municipais) que vêm a público nessas oportunidades reconheceram responsabilidade pelos eventos. E nenhum deles, inclusive o mencionado prefeito, tomou medidas efetivas para evitar novos desabamentos durante a estação de chuvas de 2011. Dedicam-se prioritariamente, todos eles, às tricas e futricas associadas à sua sobrevivência política ou à expansão de seus territórios eleitorais e fortunas pessoais.

Vindo de uma agradável experiência na orla, com minha mente e meu corpo conectados à Natureza, sou confrontado com a violência do noticiário. Não a violência de um tiroteio, não a violência de um seqüestro, não a violência de uma guerra; mas com a violência que está em quase toda a nossa vida política, explicitada na cara cínica de nossos dirigentes – violência surda, imperceptível, cruel e extremamente perversa.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Valor da Amizade (Peça em Um Ato)



Personagens:

Josi

Perov

Cena – Casa de Perov, três horas da manhã de um dia de semana. Dois ambientes contíguos – sala e quarto – divididos por tapadeira e abertos para a boca de cena. Na sala, um sofá e uma mesinha; no quarto, uma cama e um criado mudo. Luz como vinda da rua, filtrada em ambos os ambientes.

[Perov dorme em sua cama, apenas de cuecas. Ressona ritmada e docemente]

[Súbito, alguém bate à porta] [Contra-regra – batidas à porta num crescendo de séries de três]

[Perov desperta; vence o sono aos poucos e levanta-se tonto]

Perov [para si mesmo, coçando a bunda e dirigindo-se à sala aos tropeços] – Putamerda... quem será?...

[as batidas na porta continuam, insistentes]

Perov – já vai, já vai... [acende a luz de canto da sala]

[Perov olha pelo olho mágico, com esforço. Não consegue ver bem. Mais batidas à porta]

Perov – [quase gritando] Putamerda!

Perov – [abre a porta de supetão] Josi!

[Josi avança para dentro da sala, sem dizer boa noite. Está desgrenhada, sem pintura. Veste um casacão e calça um par de pantufas. Fica claro que saiu de casa direto para a casa de Perov].

Perov – Caralho! Que foi, menina? [fecha a porta]

Josi – [olhando para um lado e, depois, para o outro; continuando de pé] Tu me dás algo pra beber? Um mate, tens?

Perov – Peraí, Josi... você me acorda, entra na minha casa e nem boa-noite?

Josi - Bah, desculpe guri... é que eu tive um sonho ruim... [varre da frente do nariz uma mosca invisível] algo com minhas provas, meu Grêmio, meu namorado, minhas espinhas... sei lá...

Perov – [sentando-se no sofá e cruzando as pernas, boceja] – ahhhh...

Josi – [ainda de pé] - sem sacanagem... me ofereces algo?

Perov – [levantando-se e fechando a cueca] - tá ... tá bem... um uísque serve?

Josi - Serve sim... aquele do outro dia... [atira-se ao sofá enquanto Perov serve uma dose num copo que está na mesinha, junto a um balde de gelo] [contra-regra: atenção para este detalhe].

Perov – Duas pedras? [Josi não responde] ... pronto [estende o copo que Josi agarra e bebe de uma só vez].

Perov – [de pé, diante de Josi, que continua sentada] Putamerda, Josi... que pesadelo, hein? [Perov debruça-se e acaricia os cabelos de Josi].

[Josi vê o membro de Perov endurecer, saindo um tanto pela cueca... dá uma agarradinha... massageia... beija... e solta]

Josi – Olha, Perov, desculpe... Não tô a fim de chupar teu pau agora não... mas tu podes fazer mais uma coisa pra mim?

Perov [soando contrariado, mas assente, recolhendo o membro] – diga, Josi, diga...

Josi – Tu chupas minha boceta? [quase deitada no sofá, Josi abre o casacão... não tem nada por baixo, abre as pernas e mostra a vagina bem exposta, apesar do grande tufo de pelos que a cobre].

Perov [ajoelhando-se diante das pernas abertas de Josi, começa o cunilingus sem dizer palavra].

[Josi vai escorregando pelo sofá, colocando-se numa posição mais confortável. Alisa os cabelos de Perov, enquanto puxa a cabeça do amigo para si]

[Iluminador: a luz da sala vai fechando até que só se vê a silhueta dos personagens, iluminada pela luz da rua, que filtra pela janela]

[Somente sons discretos da chupada e a voz de Josi]

Josi – Ahhh, que bom... hummmm.....

Josi – Mais forte... usa os dedos, guri.... hummm... isso... mais um... enfia... atrás também... assim.... chupa, vai... aí mesmo... com força... cachorro... cachorro... mais forte...

Josi – [instruções, frases e gemidos ad libitum até gozar em crescendo...]

[Josi vai escorrendo do sofá e  Perov fica de pé lentamente, observando a amiga satisfeita]

[Iluminador: pouco a pouco a luz se abre sobre a cena, até voltar à iluminação da lâmpada de canto]

Josi – [entre sorrisos dá a mão a Pero] Como eu sempre digo... nada como uma boa foda.... entre amigos.

Perov – Anda, Josi... [levanta docemente a amiga do sofá].

[O casacão de Josi e as pantufas ficam por ali, na sala, equanto Perov e Josi, de mãos dadas, vão para o quarto e deitam-se na cama. Devagar, se acomodam, um de costas para o outro]

[Iluminador: deixar acesa a luz do canto da sala]

Perov – té manhã, Josi...

Josi – té manhã, Perov... te adoro...

Perov – te adoro mais...

Josi – e a luz da sala, Perov?

Perov – [virando-se para Josi] se quiser, apaga quando sair, e depois bate a porta... té manhã, Josi... [vira de costas para Josi]

[meio minuto de silêncio]

Josi – Perov?....

Perov – hummmm?...

Josi – o que tu achaste dos meus seios?

Perov – [virando-se para Josi] São lindos, Josi... dorme aí, vai...

Josi – que bom que achas... [pausa]... tu devias lavar essa boca antes de dormir...

Pano Rápido.

29dez2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Recoil

Quando convenci minha namorada a fazer um ménage não tinha a menor idéia do que acabaria acontecendo. Queria muito testar até onde ia a vontade de Gabriela e sua disposição para vencer o desafio de termos companhia na cama. Ao mesmo tempo, gostava da excitação provocada pela história que fomos construindo ao longo de algumas semanas.

Vânia era uma amiga nossa. De vez em quando saímos juntos – eu e Gaby e Vânia e o marido, o João. Nestas vezes eu observava como as duas conversavam, excluindo a mim e ao João do papo. Tinham essa amizade feminina que fala um dialeto especial e troca comentários e olhares sem que nós, pobres diabos, entendamos o porquê de tanta graça.

Um dia Gaby mencionou-me que Vânia já teria tido experiência com outras mulheres e que havia lhe manifestado o desejo de come-la – o que não lhe despertou qualquer reação contrária. Na verdade, Gaby brincava com a idéia de experimentar uma relação dessas. Sempre muito curiosa e aventureira, tinha a força motriz que a levava a ser fora do comum. E, então, resolvi desafia-la.

Com cuidado fomos tramando a oportunidade. Primeiro decidimos que Gaby sugeriria o ménage à Vânia. Se colasse, conversaríamos a três sobre como, quando e onde nos encontraríamos. De meu lado, ia estimulando Gaby, e também me estimulando, transando enquanto fantasiávamos um enredo em que Vânia estaria conosco. E finalmente Gaby trouxe-me a boa notícia: Vânia concordara e haviam já marcado nosso primeiro encontro para discutirmos a oportunidade.

Confesso que não me senti muito à vontade quando nos sentamos, os três, para conversar. As duas já tinham intimidade suficiente, estrada suficiente, para saltar detalhes; enquanto eu pouco conhecia, diretamente, da faceta que Vânia começava a expor. Constrangido, percebi que a atenção de Vânia era centrada em Gaby e que pouco importava, para ela, que eu fosse Carlos, José ou Manoel. A esta altura senti que o desafio era meu e, não, de Gaby. Mas toquei adiante e sugeri um motel que já conhecia. Vânia retrucou com outra proposta: perversa, sugeriu que fosse na casa dela; João viajaria na próxima semana e a ocasião era esta. Gaby concordou e tive que fazer o mesmo, entendendo que este detalhe acrescentaria mais uma pitada de excitação ao ménage.

Na noite daquele primeiro encontro, quando ficamos a sós, Gaby riu da situação, dizendo-me que eu teria que dar cabo das duas. Mal sabia ela que o desafio não era para o desempenho, mas para a capacidade de seguir com o enredo e desdobrar a trama sem tropeços...

No dia marcado, lá fomos nós para a casa de Vânia. Gaby, atenciosa, levava uma orquídea de presente, enquanto eu, o lado prático, trazia comigo as camisinhas e o K&Y. E Vânia nos recebeu com aquele sorrisão de alegria. Logo estávamos bebericando na sala e, dali a pouco, deitados nus na cama do casal. E foi nessa hora que confirmei que a liderança não era absolutamente minha: Gaby levantou-se e disse que voltaria logo depois; enquanto isso, insistiu que deveríamos ficar mais à vontade, Vânia e eu. E quando Gaby voltou à cena, encontrou-nos deitados juntos, e nos beijávamos enquanto nos masturbávamos. Um beijo sem gosto, de faz-de-conta, e um toque mecânico, sem inspiração, mas suficiente para deixar-me ereto.

Gaby, então, meteu-se entre mim e Vânia e, aos poucos, ficou de quatro, pedindo-me que viesse por trás dela, enquanto começava a namorar – essa é a palavra – Vânia. Obedeci. A cena era muito bonita. Enquanto entrava em Gaby, podia ver como se apossava de Vânia. Os músculos dos ombros e das costas retesados, enquanto ela beijava a amiga e a masturbava. Saí de Gaby, sem gozar, a tempo de ver Vânia virar o jogo.

Nossa amiga é mignon, muito engraçadinha, pequenos seios, carinha bonitinha e pernas malhadas por corridas diárias. Um bom contraste com minha namorada – que é maior, um belo exemplo de mulher gostosa, de seios bonitos, nádegas e pernas carnudas e um rosto marcante. Sendo magra e atlética, Vânia, assim que sentiu-se livre do engate a três, encaixou-se entre as coxas de Gaby e a possuiu com a boca e os dedos.

Parado, apenas observando, vi que Gaby se contorcia de agonia na boca de Vânia. E também constatei que a maestria de Vânia era muito superior à minha. Não envolvia apenas chupar e dedar. Era todo um balé de louva-deus que pausava quando a excitação de Gaby quase atingia o clímax e re-começava, de outra forma, quando a sua ânsia chegava ao pico do desespero. A fome de Vânia não tinha fim, mas Gaby, condoendo-se de mim, depois de gozar mais de uma vez, sugeriu que Vânia me comesse, começando por chupar-me o pau.

Novamente tive a sensação mecânica de antes. Vânia chupou-me diligentemente, mas sem paixão. Uma chupada técnica, eu diria. Mesmo quando fomos para a frente do espelho do armário porque eu desejava que ela se visse com meu pau na sua boca, Vânia portou-se como uma peça de equipamento. E assim foi, também, quando me cavalgou e sua boceta engoliu meu pau de uma só vez. Gaby, então, aproximou-se dela e ofereceu-lhe a boceta. Como resultado, Vânia começou a comer-me com mais tesão, ao mesmo tempo em que se esbaldava com minha namorada.

Gozamos os três, não sei em que ordem. Mas me recordo bem que, pela primeira vez, minha sensação de gozo não passou dos meus quadris. Foi realmente muito estranho não sentir prazer por todo o corpo, como sempre me acontecia. E fiquei feliz quando as minhas parceiras decretaram o final da ginkana.

Um a um fomos ao banheiro e depois ficamos ali um pouco, conversando. As duas em franca comunicação e eu tenso, querendo ir embora. Até que começaram a vestir-se e eu fiz o mesmo, rapidamente. Alegando um compromisso, apressei Gaby e seguimos em direção à sala. Ao chegarmos à porta, Vânia deu-me um abraço e, ao despedir-se de Gaby, deu-lhe um intenso beijo na boca, retribuído em igual intensidade por minha namorada, cuja boca vermelha e carnuda é o ponto central de seu rosto e minha atração principal.

Passou-se talvez uma semana antes de falarmos sobre o ménage. Quando fiz um comentário insípido, Gaby retrucou que Vânia a havia telefonado convidando-a para uma noite a duas. Imediatamente a imagem do beijo na boca, trocado à porta do apartamento de Vânia, me veio à memória. E aí senti o quanto meu coração estava partido.

Não pude dizer não à Gaby. Faz parte de nossa relação evitarmos cenas de ciúmes e não fazer valer qualquer idéia de posse. Engolindo a emoção, disse a ela que deveria ir. E dei-me conta de que havia me tornado um homem triste.

Para G/, que me pediu e eu fiz.

14dez10

domingo, 12 de dezembro de 2010

Gueixa

meu dengo me diz
- sou tudo que quiseres...
meu dengo me entristece
pois que a quero como ela é
mais que tudo como ela é
descoberta casual
ou não [por estar escrito em nossa história]
meu dengo é a realidade sutil
que aparece e se esvanece
que não necessita de sujeito e predicado
nem de forma ou conteúdo
que não é rosto ou um par de pernas
nem tom de pele ou menina dos olhos
é a gueixa suprema
de nome escrito a nankin
cujo toque não precisa do contato da matéria
nem do sopro do espírito
para que eu a sinta apertada a mim e
no momento seguinte a saiba
parte do cosmos...


12dez10


Para Marcela, Gueixa Wasabi, amiga infinita.