quinta-feira, 12 de julho de 2012

No Title


silente/quase inerte/(so I hear her)/passa/e diz:/"Noite"/e de repente alegra meu rosto/com uma pergunta qualquer/e me faz lembrar/muito bem/como é ancestral e bela/em seu silêncio/noturno...

terça-feira, 3 de julho de 2012

Uma história mal acabada


Não adianta. Sou mesmo desconfiado. Sempre fui. E, se me perguntarem, não há razão para isso. Meus pais nunca me surpreenderam com uma paulada na cabeça, ou algo assim do gênero. Nunca fui maltratado por professores ou colegas de classe. Meus amigos jamais usaram contra mim qualquer coisa que eu lhes tenha confiado. Minhas namoradas nunca me traíram. Mas... assim mesmo, sou desconfiado.

Não sei se ser como sou tenha me livrado alguma vez de uma punhalada nas costas. Não sei porque a desconfiança, em mim, não é uma atitude pensada, ou uma estratégica. É da minha natureza.

Toda vez que tenho que falar em público me preparo bastante. E, quando entro no recinto, olho os assistentes nos olhos, um a um, buscando quem irá me puxar o tapete. Mas nada acontece. Incrível como, sendo meio acabrunhado (que é a expressão corporal que uso para despistar os mal-intencionados), consigo despertar uma certa simpatia. A ponto de dizerem-me que tenho “carisma”.

“Carisma”, ora bolas, tem quem tem. Não eu. Nem faço questão de ter. Quero que me deixem em paz. Que não me sigam. A idéia de que especialmente me queiram me transtorna. Quem lhe quer, quer lhe transformar. E, se não consegue, quer vingar-se. Assim, faço questão de não seduzir ninguém, de não encantar ninguém. E, por anos esperei encontrar uma mulher anódina.

Foi assim que conheci Maria (não é o seu nome, mas fica sendo, para o caso de alguém querer usar isso contra mim). Era a aluna menos destacada da classe. Vestia-se como que para esconder-se. Nem querendo conseguia-se imaginar os seus seios, as suas ancas, os seus pés. Teria freqüentado uma igreja evangélica sem despertar qualquer estranheza. Ao menos por sua total sensaboria; já que não seria capaz de dizer “amem”, nem para si; mesmo que o próprio Cristo aparecesse e falasse com ela.

Pois bem. Nosso primeiro encontro teve causa e desenlace que não me recordo – isto prova como foi indiferente. Com o tempo, trocamos um beijo e ela deixou-me tocar-lhe um seio. Sem perplexidade ou qualquer outra reação. Estava escrito que iríamos nos casar.

Tivemos dois filhos. Todos os dois de parto normal; assim como normal foi sua gravidez. À noite dividíamos nossa atenção entre eles e a televisão. Maria gosta do Jornal Nacional e eu gosto de rodar pelos outros canais. Nada dramático. Ajeitávamos tudo organizada e perfeitamente assim, Maria podia tratar de suas coisas e eu dos meus livros e escritos..

Até que ontem à noite, quando eu estava por iniciar minha primeira aula do semestre, sentou-se bem á minha frente aquela garota estranha. Quer dizer, era estranha porque exatamente me chamou a atenção e meu truque de ficar olhando nos olhos não resultou em qualquer diagnóstico.

A garota estranha chama-se Joana (outro nome trocado, se me perdoam). E veio se apresentar ao final da aula, congratulando-me pelo ponto bem dado. Nunca tinham feito isso. Pegou-me no contra-pé. Ao invés de acabrunhado, fiquei animado. Estava também escrito que haveria algo entre nós.

Três meses depois do início das aulas Joana procurou-me para dizer-me que estava grávida. A punhalada atingiu-me sem que eu previsse. “Mas como?”, perguntei. E afirmei, quase batendo com a canela na mesa, “Usamos preservativo todas as vezes!”. E Joana respondeu-me simplesmente “Não sei.”. E saiu.

Na verdade, nosso sexo era selvagem. Pelo menos para mim, que nunca havia conhecido algo distinto da posição missionária com Maria e a cautelosa masturbação de lavatório quando era adolescente. E Joana era sempre a caçadora e eu a caça, que se regozijava quando, ao revés, fincava-lhe a lança bem fundo no profundo mesmo da noite escura do seu entre-pernas. Desculpem-me o arroubo poético, mas era assim que me sentia – um Casmurro convexo, alucinado. Durante uma dessas devia ter esquecido de usar o contraceptivo.

Com Joana, larguei de lado a desconfiança e assim fui compensado. Uma gravidez não encomendada. Uma confusão dos diabos. E um completo despreparo para enfrentar a situação. O que eu falaria para Maria? A pergunta remoeu-me por dez dias, ao fim dos quais, ao entrar em casa, surpreendi-me com Joana e Maria conversando finamente no sofá da sala.

“Desastre!”, pensei. E não me mexi. Até que ambas me chamaram e sentaram-me, bonitinho, na poltrona do papai. Ali mesmo, na frente da TV, só que virado para elas. E aí me puseram a par, tim-tim por tim-tim, do que haviam acordado, que resumirei, poupando os detalhes: (a) Maria ficava com o apartamento e uma pensão que era mais ou menos a integralidade de todos os meus salários de professor e a metade do estipêndio como Procurador da Fazenda Nacional; (b) sobrava-me o apartamento deixado por meus pais (lembrete: despejar o inquilino) e as economias depositadas no banco do Brasil; e (c) o que sobrava para mim seria utilizado para criar meus filhos (até então três) até terminarem a faculdade. Ponto.

Não tugi nem mugi. Saí de casa com um par de ternos, algumas camisas, suficiente roupa de baixo e algumas calças. No dia seguinte aluguei um apartamentinho no Catete. Instalei uma cama grande onde agora passo as horas me exercitando com Joana – que, a final, não estava grávida coisa alguma. Por precaução, sempre que chego em casa olho em baixo da cama e dentro do armário do quarto. Seguro morreu de velho. E eu ainda sou novo.

Pero Vaas = 03jul12

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Feliz Aniversário, Meu Bem.

ah, a pele de minha tão-querida/a alva e doce pele de minha tão-querida/com que mãos, dedos, lábios/gostaria de tocá-la/aqui e lá/ sem destino/sem convicções/apenas o tato em sua pureza/para que ela/ sendo assim investigada/tivesse muito prazer/e muitas cócegas... [perov=15mar12]

Réquiem




Estava fazendo meu café matinal quando escutei alguém arranhando a porta. “Hummm....” pensei “... esses cachorros do prédio... que merda”.

Como o ruído continuasse, apaguei o fogo e fui ver o que era. Abri a porta de supetão. Lá estava um sujeito – mais ou menos da minha altura e da minha idade – olhando-me fixamente e esperando ser convidado a entrar, como se eu soubesse quem era.

Fiquei ali parado, com a mão na porta. E ele entrou sem ser convidado. Sentou-se no sofá da sala sem pedir licença e continuou a olhar-me. Até que consegui fechar a porta e perguntar: “Quem é você?”.

“Sou seu anjo da guarda...” respondeu-me ele, com tranquilidade. “Mas, de preto?”, segui na pergunta. “Sim...”, disse-me ele olhando para si mesmo, “... algum problema? É uma cor como outra qualquer... inexiste em si... é um reflexo da luz... onda refletida nesse tecido aqui...” disse-me apontando e puxando o tecido da roupa.

Neste momento notei que era muito parecido comigo, assim filosofando sobre algo sem importância enquanto que a cena se desenrolava.

Puxei uma cadeira e sentei-me diante dele. Com o queixo disse “que?”.

E então ele desculpou-se pela notícia que me trazia e contou-me que eu teria que resolver um dilema. E que esse dilema tratava-se do seguinte: eu teria que escolher entre morrer ou desaparecer de onde estava e seguir vivendo em outro lugar.

A idéia de morrer tem me visitado com constância. Não gosto dela; não gosto de tomar pé da minha mortalidade. Tantas coisas gostaria de fazer... coisas que tomam tempo para aprender e para realmente apreciar. Tocar baixo, por exemplo. E tanto por ver acontecer: meus filhos, seu crescimento. Tantos Natais, tantos encontros com os amigos. Tantos clímaxes... A possibilidade de seguir vivendo era fantástica!

Mas logo em seguida pensei no afastamento que o anjo me propunha em troca da imortalidade. Pensei que eu fazia sentido no meu contexto e como projeção do meu passado; fora dele quem (ou o que) eu seria? E meus entes queridos? O que sentiriam quando de repente não me vissem mais, sem qualquer explicação? Quanta tristeza nesse dilema...

Percebendo meu estado, o anjo passou a descrever o procedimento – o que objetivamente aconteceria, caso eu optasse pela imortalidade. “Você simplesmente desaparecerá daqui, sem nota ou mensagem... pufff” – alargou os braços – “... e aparecerá num lugar qualquer. Lembra do idoso nadador de Ipanema, que desapareceu sem vestígio na semana passada?... ele optou...”.

“Terei família, história de vida? Serei eu com essa mesma cara, essa roupa, esse jeito? E as saudades?” perguntei ansioso.

“Você será você mesmo. Mas não haverá qualquer confusão de contexto. Você será um de nós. Será visto, andará por aí, mas não precisará mais de sobreviver – isto é: comer, dormir, suar. É uma vida inefável mas difícil, confesso. Mas não será melhor que morrer? Olhe para mim: eu sou você amanhã...”, disse-me sorrindo, “... e talvez, algum dia, depois de entender o que é esperado de você, você poderá ter o trabalho que tenho.”

“Mas por que isso? Acontece com todo mundo?”, perguntei. “Vá saber...” respondeu o anjo, entediado ... “... essa chance não é dada a todos, e não sei por que é dada a certos indivíduos... todos fazem as mesmas perguntas; eu mesmo as fiz... não há respostas para isso... é uma questão de aceitar, ou não... aceite, se quiser... não tenho como diminuir o seu transe...”

Calado, fiquei pensando em livre arbítrio e misturando esse pensamento com o sentimento de saudade que começava a tomar-me, doendo-me muito... Ao mesmo tempo, considerava que a imortalidade era o remédio para a profunda angústia que vinha sentindo. Senti-me culpado por pensar fixamente em mim e não na angústia dos outros, quando não dessem mais por mim...

E fiquei ali, olhando para meus pés, sem me decidir, até acordar...

Perov = 15jun12

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Fofo!

            
                                                               
-- Fofo! Você é um fofo, Perito!

“Arrrrgh!”, pensei. Fazia meses que eu andava estregue aos encantos dela, tentando abrir meu espaço com aquela garota. Meus malabarismos mais notáveis eu aplicara com denodo... e agora isso. Que contrariedade!

Não é que não gostasse dela. Gostava, e muito. Quando eu a vira querer abraçar o mundo, ou dançar e cantar imitando Shakira (“uma Shakira negra”, ela dizia, sublinhando a sua morenisse). E depois – quando percebi a inteligência, a rapidez e a qualidade da companhia – retornei mais vezes para vê-la. E então primeiro a estimei, e depois a quis.

Assim, toda vez que ela precisara de uma troca de idéias para afinar seus conceitos e quebrantar suas dúvidas, lá estava eu, disposto a sublimar os meus desejos, oferecendo uma parede com a qual ela pudesse treinar o seu colorido “pok ta pok”.

Mas ela confundira gentileza e querer bem com fofura... e isso queria dizer que o objetivo de te-la, de come-la, de faze-la, estava postergado para sempre... Sabia eu, por filosofia e experiência, que não havia caso de cordeiro transformar-se em lobo. As uvas, por sinal, estavam absolutamente maduras, mas em um galho que eu não conseguia alcançar.

E o que eu faria, então, com meus sonhos? Com os dedos que lhe enfiaria? Com o apertar de seios e nádegas? Com o esfregar de ventres? Com as mil e uma posições nas quais eu a penetraria... na frente, atrás, pelos lados, por cima e por baixo? Diacho!

E ela seguia o passo e o ritmo, fazendo de seu Perito gato e sapato; enrolando-o desde o miserável dia em que dissera que a queria. Banhando-se, perfumando-se, abrindo-se e fechando-se. Dançando e rodando nas baladas. Cantando nos karaokês, apertando-se pelos muros da cidade. Masturbando-se e gemendo em voz alta. Tornando-se a cada dia a mulher que eu queria ter; aberta, ansiosa e exposta. Mas alcunhando-me de Perito, Pero queridito, meu fofitcho – e todas essas coisas que desmoralizam qualquer sujeito em busca de um contacto mais físico, de um cheiro, de um amasso.

O assunto perturbou-me tanto que acabei confessando-me com um amigo feticheiro. “Ora, meu caro ...” disse-me ele “... seja o que ela quer. Seja o boneco de pano, seja o seguidor complacente, seja um desses aios ao pé da ama, sempre pronto a servir ao seu escárnio e às suas zombarias... Verás que isso abrirá um espaço por onde poderás enfiar-te e, nela, enfiar tua verga.” Tão seco, esse meu amigo... Não entendia que, nesse maldito caso, a tal “verga” não se enfiaria assim, mas assado...

Procurei outras respostas. Repassei mentalmente nossos diálogos, os tons de nossas conversas, os momentos em que ocorriam viradas e viragens. E desisti. Me restava apenas tornar-me, sem mais reclamações, a fofura dela.

E assim fomos avançando o relacionamento. Não mais falei de minhas mãos segurando-lhe as nádegas, nem de meus beijos nos seus seios. Admiti ser um fofo, enfim; um doce Winnie-the-Pooh, cujo pirú não aparece nem na mais extravagante cena.

E lentamente nossa situação física foi mudando. E quanto mais eu me comportava legitimamente como um bichinho de pelúcia seu, mais ela me abraçava candidamente, mais se esfregava em mim, mais me beijava enternecida...

Comecei a surpreender-me com tantos carinhos, algumas vezes até duros carinhos, que chegavam a magoar-me a pele. Mostrava-me as coxas e, alguma vez, um seio e seu mamilo escuro, criando intimidades. Enquanto isso, falava-me coisas instigantes naquele ta-ti-bi-ta-ti infantil, como se eu fosse um cachorrinho...

Um dia, depois de muito carinho e esfregação, não pude disfarçar uma ereção. Ela, é claro, notou. E imediatamente se pôs a castigar-me com palavras, mas não com gestos... Não sei como, pegou no meu pau e inciou uma adorável punheta, sempre repreendendo-me a ousadia (que era obviamente dela). Depois, culpando-me por seu estado, levou minha mão à sua boceta. “Ah, Deus, esta boceta divina que desejei por tanto tempo explorar...” pensei. Uma boceta gloriosa, de pelinhos curtos e textura nobre... molhando-se cada vez mais... enquanto ela me dizia “Que feio, fofitcho... fazendo isso... que maldade... isso não cabe aqui...” enquanto apontava, em sequência, para meu pau e para a bocetinha dela... Até que resolveu aproximar um do outro.

Com graça levantou as saias e cavalgou-me. Fez uma pequena cena de arrependimento e fingiu uma dorzinha quando sua boceta começou a engolir meu pau. Enquanto mexia-se, dizia-me palavras afetuosas usando todo o vocabulário que as meninas usam quando brincam de bonecas. Até que foi apressando o trote, apressando e multiplicando as palavras que agora eram um murmúrio onde eu apenas conseguia distinguir as palavras “Perito” ou “Perrito”. Gozei junto com ela, com delicadeza, como corresponde a um fofo. Suprimi com astúcia e eficiência o meu grito de vitória, substituindo-o por um ronrono agradecido.

Separou-se de mim, despulando com a graça que lhe é característica. E repreendendo-me “Que feio, Perito... agora está todo sujo... precisa de um banho...” E, de fato, deu-me um agradável banho de banheira, com sais e tudo mais. Lavou-me o pau com carinho, mas não deixou-me passear as mãos pelo corpo dela, -- que eu imaginara lindo e que, ao vivo, era mais lindo ainda. Enxugou-me, penteou-me, vestiu-me e pediu que a esperasse no sofá da sala, como Titia fazia nos áureos tempos.

Sentado e comportadinho, ouvi o chuveiro enquanto matutava sobre minha alegre aventura. “Está tudo muito bem!” confortava-me. E, mais importante, confiava no futuro de nossas possibilidades. E, estando absorto nos meus pensamentos, não percebi a chegada dela, perfumosa e contente. Ficamos ali, trocando algumas palavras que nada tinham a ver com nossa mui recente brincadeira. E ela então disse-me que eu devia ir embora. E obedeci.

Agora nosso relacionamento está assim: ainda conversamos bastante; e rimos também. Às vezes ela encontra uma forma de passarmos das conversas ao namoro. Algumas ali mesmo no sofá da sala; outras no quarto; outras ainda na banheira. Não sei como faz, mas sabe faze-lo com fluidez. Esse salto quântico dá sempre bons resultados eróticos. Não cessa de repreender-me. Mama-me o pau com a bela boca carnosa e retribuo o favor chupando-lhe a saborosa boceta. Manda que me comporte, enquanto encontra uma forma de receber-me de quatro, requebrando as ancas e aiando como sabe que me apetece. E eu retribuo, retribuo, retribuo, agradeço a Deus e não reclamo.

E, progredindo bastante, não vejo a hora de debruça-la sobre minhas pernas e pintar uma sinfonia de palmadas que há tempos está a merecer aquela bunda malcriada.

Perov = 14jun12

domingo, 20 de maio de 2012

Au!

A mulher de Seu Ruy tinha um cachorrinho de pelo curto que sentia muito frio. Carente, tolo e chato, o animal servia, porém, para algo importante: mal pressentia a aproximação de Dona Mércia no portão, desandava a latir. Por sua qualidade alarmista, Seu Ruy chamava-o de “Au!” [assim mesmo, com bastante ênfase], enquanto Dona Mércia tratava-o por “meu cachorrinho lindinho da mamãe”.

Enquanto Dona Mércia era uma flor de pessoa, sempre alegre e disposta a distribuir boas palavras e bons dias, Seu Ruy era um cafajeste muito parecido com o canalha Palhares, personagem de Nelson Rodrigues, que dava em cima das cunhadas, apertando-as nos corredores do apartamento.

Entusiasmado praticante da fornicação, Seu Ruy dava preferência à empregada bunduda e às amigas e comadres de Dona Mércia, promovendo encontros vespertinos, e mesmo alegres surubas, no próprio lar. De maneira que “Au! era bastante útil a Seu Ruy para dar o alarme da chegada iminente de Dona Mércia quando estava a empirolhar a mucama ou alguma dona, ou donas, no leito matrimonial.

Sujeito esperto, Seu Ruy tratava muito bem de “Au!”, a ponto de haver arrumado uma caminha e um cobertorzinho para o friorento cãozinho ali perto do fogão, mimando-o com sopinhas e bocaditos especiais.

Sucede que dias atrás, aproveitando a folga da empregada (que, além de bunduda, era intrometida e ciumenta), Seu Ruy combinou um encontro caseiro com Dona Rosalva, a melhor amiga de Dona Mércia. Assim que, esperou Dona Mércia sair, preparou-se de adrede e, um pouco antes da hora combinada, amornou uma sopinha para “Au!” e o deixou enroladinho na caminha antes de atender à porta.

Dona Rosalva era um estouro de quarentona. Ancas largas, peituda, era também muito feminina. Por onde andava deixava aquela fragrância de Fleur de Rocaille pelo ar. Assim como deixava no ar o fru-fru das meias de seda, calcinhas rendadas e demais peças de lingerie esfregando-se umas contra as outras e contra a pele deleitosa de seios, nádegas, coxas e joelhos.

De maneira que o intróito da adúltera relação demorou muito pouco e logo estavam, Seu Ruy e Dona Rosalva, passando ao prato principal na mesma cama onde Dona Mércia se posicionava, uma vez por semana, para receber seu missionário esposo. O momento era sublime, embora nada criativo: Dona Rosalva de quatro, a belíssima lua movimentando-se tipo “Besame Mucho”; e Seu Ruy resfolegando aos sussurros de “meu amor”, “minha putinha”. Eis que, exatamente quando Dona Rosalva já dizia “mete bem, seu cachorro” e Seu Ruy gritava “vou te arrebentar o rabo, cadela”, aparece na porta a proprietária da cama.

A indescritível cena passará em branco mesmo porque não há como retratar o clima, a movimentação, o pernas pro ar, o pula-pula, a chuva de impropérios e a confusão que se seguiu. Dona Rosalva conseguiu escapar das sapatadas e, lépida, com traseiro e peitos balançando-se, encontrou a saída e zarpou escadas abaixo. Seu Ruy, apologético e de joelhos, tentava agarrar-se às pernas de Dona Mércia, que exibia seios e nádegas enquanto dizia que esfregaria seus dotes na cara do primeiro. Enfim, uma cena que os Anjos no Céu e Lucibel no Inferno chamariam, em coro, de dantesca.

Termina que o bom coração de Dona Mércia vitoriou-se sobre o amargo fel do ressentimento. E, sentada na cama, a pobre esposa – duplamente traída – acaba aceitando um copo d’água com açúcar que o pressuroso Seu Ruy se oferece a buscar. O marido infiel, então, escapa rápido para a cozinha, preparando o pé direito para chutar com força os fundilhos do distraído “Au!”. Quando lá chega, sente imediatamente o cheiro de gás e vê, ainda enrodilhado na sua caminha, o defunto cãozinho cujo alarmado latido será ouvido apenas do lado das eternas putarias celestiais...




Pero Vaas=19mai12

Dedicada aos amantes dos animaizinhos domésticos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tunico e as Freiras

Diz a piada:

“O vigário de um vilarejo tinha um pinto como mascote, chamado Tunico.

Certo dia, o pinto Tunico desapareceu e o vigário, preocupado, resolveu pedir ajuda aos paroquianos.

No dia seguinte, na missa, o vigário perguntou à congregação:

-Algum de vocês aqui tem um pinto?

Todos os homens se levantaram.

-Não, não, disse o vigário, não foi isso que eu quis dizer.

-O que eu quero saber é se algum de vocês viu um pinto?

Todas as mulheres se levantaram...

-Não, não, repetiu o vigário... o que eu quero dizer é se algum de vocês viu um pinto que não lhes pertence.

Metade das mulheres se levantou.

- Não, não, disse o vigário novamente muito atrapalhado. Talvez eu possa formular melhor a pergunta:

-O que eu quero saber é se algum de vocês viu o meu pinto?

Todas as freiras se levantaram
.
-Deixa pra lá, disse o vigário, desistindo... o Tunico que se foda...”

Piada ou não, naquela mesma tarde, reunidas no convento, as freiras da cidade discutiam como fazer para seguir com a diversão sem mais problemas. Uma das religiosas, mais velha e portanto astuta, lembrou às demais que a Irmã Ana de Deus havia sido visto o jardineiro do convento sodomizando uma galinha.

As freiras, recordando-se do evento, diziam "sim" "sim" e uma delas relatou que também vira bem visto o pinto do jardineiro e que ele era de bom tamanho e bom calibre -- tanto assim que a dita galinha, após um longo suspiro, morreu feliz.

 Logo formou-se uma comissão para ir falar com o jardineiro sobre seu pinto que já era apelidado de Tunico... A comissão formou-se com três freiras: lideradas por Soror Tereza, as noviças Sandra (obviamente mais curiosa) e Ana de Deus seguiram até onde o tranqüilo jardineiro adubava um cipreste.

 "Olá, senhor jardineiro", avançou Soror Tereza, "... é verdade que seu pinto é grande?". "Senhora", respondeu o jardineiro, levantando-se ainda descomposto. "... seja o que seja, este é o único que tenho...", disse apontando para o que mais parecia uma mangueira, dessas de jardim de convento. "Ahhhhh....", suspiraram as três religiosas, colocando as mãos no rosto, nos olhos, nos ouvidos, onde fosse. Soror Tereza, entretanto, mais calma e hábil nas artes da enfermagem, aquilatou o Tunico, que media, em repouso, um palmo bem medido de longo e tinha na ponta, a fazer as honras de uma cabeça, algo como uma manga carlotinha...

Munida das melhores intenções e muito alegre com a descoberta, Soror Tereza, tendo Tunico pela mão, levou-o em procissão, seguida de perto por Ana de Deus a Sandra ao local onde aguardavam as demais freiras. Em lá chegando, Soror Tereza logo tratou de apresentar a portentosa prenda às colegas de claustro, encorajando-as a aquilatar pessoalmente o tal Tunico.

Um grande ajuntamento de freiras juntou-se à volta do feliz jardineiro e cada uma das religiosas tratou de apalpar e medir o bom Tunico que, lisonjeado, estufava o peito e só fazia crescer e crescer. Uma das noviças, a mais rebelde, conseguiu prová-lo com a boca e, mimoseando o hirsuto saco, obteve rapidamente uma descarga que causou inveja a todo séquito -- mormente a Ana de Deus que julgava ter a primazia dos favores de Tunico...

E ia bem organizada e tranqüila a vida no convento, com o bem dotado jardineiro provendo diariamente as necessidades daquelas freiras. Quem não estava muito contente, entretanto, era Padre Herculano, o vigário, que desde a história do "Sermão do Pinto" passou a ser rejeitado pela congregação das agora bem servidas Descalças.

As espertas freiras, além de não darem mais chance a Padre Herculano, solicitaram a vinda de um novo confessor, bem mais idoso e muito surdo. Padre Cícero, como era chamado, fazia que ouvia os pecados das religiosas e, após algumas palavras ininteligíveis, dava-lhes sempre a mesma penitência: três "Padre-Nossos" e três "Ave-Marias". E Tunico seguia brilhando envernizado, satisfazendo algumas e ficando a dever a outras, cujo furor era tal que obrigava o jardineiro a usar o cabo da vassoura do jardim.

Logo o convento tornou-se a sede da fornicação, com as religiosas masturbando-se na Fila do Agrado à espera da vez com o exausto jardineiro. Não fosse pelas infusões que lhe servia Soror Tereza, o antes parrudo serviçal teria desmaiado umas tantas vezes.

Do outro lado da cidade, Padre Herculano, aperreado, tentava satisfazer-se com o grupo da terceira idade que, entre um bordado e outro, entre uma compota e outra, entre uma aula de piano e outra, abria-lhe as pernas e o sexo cabeludo em tristes vesperais.

Deu-se, então, que a filha de um rico mercador chinês foi destinada à guarda no convento, acompanhada de um dote magnífico. Soror Tereza, bem usando o dote, passou a pagar regiamente o jardineiro pelos serviços prestados, transformando o convento num fantástico e exclusivo lupanar.
Ana de Deus sugeriu então que, em retribuição à dádiva do mercador, se fizesse a iniciação de sua linda filha nas práticas de Tunico. O Conselho de Classe decidiu que sim e foram dar a notícia à noviça que, já sabedora do culto a Tunico, disse um emocionado “sim!”.

Inspirada pela leitura de um tomo proibido denominado "A Suruba Rave de Lu Ferreira", que encontrara sob o catre da mais idosa das freiras, Soror Tereza imaginava a iniciação de Amai Liu como o clímax das aventuras de Tunico.

Com grande alegria as freiras prepararam a iniciação da candidata. Amai Liu – este era seu nome -- era uma adolescente de figura esguia, muito delicada, de olhos inocentes e pele de alva nobreza. Muitas das freiras, havendo experimentado o tamanho e o peso de Tunico, acreditavam que tão pequenina formosura não seria capaz de agüentar as investidas daquele lendário pinto. Soror Tereza, entretanto, afirmava que sim, que já havia visto muita complacência passar pelo teste do Grande Alargamento, voltando ao normal logo em seguida. De modo que as mais prudentes se convenceram e seguiram nos preparativos da noite da folia, que teria lugar no abobadado Salão das Orações.

Chegou o dia, então, da Grande Iniciação -- ou Grande Irrigação -- e as freiras desdobravam-se em cuidados para com a petite Amai Liu, oferecendo conselhos, banhando-a com água de flores, untando-a com óleos especiais e dando-lhe caldos e outras mezinhas para sustentar-lhe as forças sem pesar-lhe no estômago. Amai, após tantos preparativos, foi vestida como uma freirinha -- simples e bela -- encontrar seu destino de alegrias. A Sala de Orações estava decorada com grande parcimônia, sublinhando a religiosidade do momento. Soror Tereza manuseava e untava Tunico, preparando-o para o sagrado momento. De quando em vez, esticava a cabeça de Tunico na direção de Ana de Deus, que abocanhava-o, alternando a vergastação das mãos de Soror Tereza com a doçura da pressão de seus lábios. As demais freiras aglutinavam-se, como podiam, em torno do local da Iniciação. E a expectativa era enorme quando no Salão adentrou, acompanhada por um pequeno e seleto séquito, a belíssima Amai Liu.

O jardineiro lá estava, como um deus; e Amai Liu caminhava, devagarmente para ele. A cada passo aumentavam a ansiedade da assistência. A cada suspiro ouvia-se uma cascata de outros suspiros. Até que o encontro deu-se. O jardineiro afagou os cabelos de Amai Liu e a noviça ajoelhou-se diante dele, com a cabeça baixa, obediente.

Soror Tereza estava muito excitada, mas continha-se -- sabia que o auge do prazer tinha que ser construído para doer mais e ser, portanto, mais intenso. Assim que, delicadamente, levantou a cabeça de Amai Liu pelo queixo e olhou-a nos olhos, pedindo que ficasse de pé. Auxiliada por Ana de Deus, desatou a túnica que cobria a nudez da noviça. E todas viram, como iluminado pela luz divina, o corpo esbelto da menina -- os pequeninos seios, o ilíaco, o púbis sem qualquer sombra de penugem, a a flor de cerradas pétalas que Tunico iria lancetar.

Ajudada por duas ou três freiras, Amai Liu foi reclinada numa espécie de altar e abriram-lhe as coxas para deixar à mostra o alvo do encantamento. Poucas religiosas haviam visto a nudez de Amai Liu e agora todas se perguntavam se Tunico encontraria espaço para caber naquele diminuto oratório...

Com muito jeito Soror Tereza e Ana de Deus passaram os santos óleos na entradinha de Amai Liu e na cabeçorra de Tunico, aproximando os dois como se fossem engatar um jogo de montar chinês, cujas peças à primeira vista não se encaixavam.

Mas... para surpresa de todas, aquilo que parecia impossível aconteceu: após um início doloroso, o borrachudo Tunico foi escorregando docemente pelo paradisíaco portal de Amai Liu e lá estabeleceu-se, parecendo estar em dúvida, já que entrava e saía, entrava e saía até que apressou o passo e explodiu.

A esta altura as freiras todas masturbavam-se freneticamente, inspiradas pela bela cena. Usavam dildos confeccionados pelo hábil jardineiro, que recolhera uma quantidade de galhos, esculpindo-os, alisando-os e transformando-os em paus de variados tamanhos e múltiplas utilidades...

O resto é história. A sagração de Amai Liu produziu um intenso e profundo efeito entre as freiras daquele convento. Várias se acasalaram e declararam sua lealdade a Lesbos. Outras tantas iniciaram divertidas relações com entregadores, marceneiros e até mesmo com o pai de Amai Liu que, indo visitá-la um dia, aproveitou para convidar umas tantas quantas para atender na casa de swing que estava a abrir na Capital.

Amai Liu usufruiu durante bastante tempo, e por todos os seus elásticos orifícios, das graças de Tunico; e finalmente tomou a frente na administração da maior parte das Casas de Prazer que eram de propriedade do pai. O jardineiro saiu pelo mundo num circo, apresentando Tunico, reservadamente, por R$200,00 a meia-hora. Ana de Deus e a noviça Sandra continuam no convento, zelando pelos usos e costumes da Ordem.

E Soror Tereza... bem, Soror Tereza vem a ser minha tia das formosas coxas; é agora enfermeira-chefe do maior hospício de uma grande metrópole; e foi por ela que soube da piada e dessa história...




Para MME, que sorriu ao ler.

Pero Vaas = 16abr12